sexta-feira, 5 de setembro de 2008

O dia que a ESPM quase explodiu

O professor é chamado fora de sala por uma mulher desconhecida. Volta com o semblante sério e preocupado.
-Tivemos um problema sério e o prédio terá que ser evacuado. Isso não é brincadeira, isso não é treinamento. Vamos sair com calma pela escada. Sem gritar. Levem as suas coisas.
A sala começou a ser esvaziada e algumas mochilas ficaram. Alguns levaram as mochilas esquecidas. Outros correram nervosos. Um segurança impedia a passagem para o resto do corredor.
-É vazamento de quê?
Ele fez cara de que não podia falar e disse baixinho:
-De gás.
Senti o cheiro, comentei com quem tava perto. Fiquei mais tranqüila, era só gás.
Nas escadas apertadas do prédio de 12 andares as pessoas saiam das suas respectivas salas e pegavam o caminho da saída. Um aluno comentava com o outro:
-Eu falei para você não furar aquele cano... Sabia que ia dar merda.
Uma menina falava rindo:
-Terroristas tão atacando o prédio da ESPM!
Outros gritavam:
-O Telles* ta pegando fogo hein galera.
Uma garota comentava:
-Poxa, logo sexta feira a gente teve que sair mais cedo! Que merda, hein.
Um outro amigo me dizia, sinceramente:
-Vim só pra aula do Luciano e vou ter que voltar pra casa.
Acho que era o único que não tinha gostado da “brincadeira”.
Chegando no térreo a esquina em frente a faculdade já estava lotada de alunos. Logo apareceu a sirene de trote tocando o tema do Titanic. Alguém perguntou:
-É trote?
-Claro que não. A diretora também foi embora.
Uma amiga desesperada:
-Gente eu vou embora. Vai que explode? Vai voar caco de vidro para tudo quanto é lado!
-Fica calma, se tivesse que explodir isso já tinha acontecido... olha quanta gente fumando aqui na porta!
-Ai gente eu já tava imaginando eu sendo carregada por bombeiros! – se desespera a desesperada - Não quero mais estudar no último andar não!
-Mas é, se pega fogo, o fogo some. A gente é que se fode. – o pessimista fez questão de enfatizar.
A faculdade realmente parecia cenário de um daqueles filmes americanos em que algum adolescente descontrolado invade a sala e mata todo mundo. Ou um daqueles em que há simulação de incêndio, ataque terrorista, ou algo parecido.
Faltaram os bombeiros ou policiais. Faltaram os tiros ou a fumaça, os gritos e choros. Faltou aquela aguinha sendo espirrada do teto. Faltou ser mesmo um filme.

Eis que surge a professora de psicologia que hoje tinha dado uma aula que falava sobre a reação das pessoas, as emoções, realidade, fantasia, atitudes de respostas perante o grupo.
Algumas aulas passadas ela comentou de pessoas que fazem piadas numa situação de desconforto. Ou de pessoas que não acreditam no que falam para elas. Falou sobre os que se desesperam, dos que falam logo sobre a pior situação possível. Contou sobre as fantasias, onde sonhamos acordados com uma situação. Criamos historinhas e suposições de cosas que fogem totalmente da realidade.

Acredito que essa situação foi um bom laboratório sobre a aula dela.



* Telles é o bar que os alunos da ESPM freqüentam antes, durante e depois das aulas.

3 comentários:

Márcio Neto disse...

e ae luka
comecei a ler a historinha e n consegui parar no meio ehueheuheuueh...
bjsss

Prometeu Acorrentado disse...

humm... inventou tudo isso para sair mais cedo na sexta? tsc, tsc.

Luka disse...

hahahahahha!!
Pior que tudo que é verdade... não é histórinha não!